domingo, 26 de agosto de 2012

Sr. Bauman, eu não sei.


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Rotina

Me coma com os olhos.
Sinta-me nas pontas de seus dedos.
Toque-me os cabelos.
Me faça mulher.

Atice minhas vontades pela manhã.
Permita-me querer, te querer.
Me transforme em fogo.
E vá. Simplesmente vá.

Quando cair a noite, desfrute-me.
Desfrute-me o tempo todo.
Toda a sua espera.
E volte. Volte sempre. Do mesmo jeito.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Ando tão assimmmmmm....

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Abdução

Se fui abduzida não sei, se foi sonho, me respondam vocês. Só sei o que me aconteceu, em realidade ou não. Uma figura feminina, que trazia uma cruz no peito e me dizia viver em razão do amor de Cristo, fez votos de castidade, de pobreza e de servir aos pobres. Este ser me convidou para abraçar sua causa: cuidar de crianças em um abrigo. Crianças abandonadas, vítimas de abuso e de maus tratos: “Precisamos de pessoas que saibam amar”. E me falou tanto de amor que senti vontade de me entregar a esta missão. Fui, com a cara e a coragem. E acreditava que tinha amor no coração.

Dezoito crianças moravam ali. Cada uma com uma história que se entrelaçou à minha. Cada rostinho, cada mãozinha, cada pessoinha daquela me pedia o tão falado amor. Muito intenso, muito profundo. Poucos dias que me fizeram acreditar que eram anos. Não havia brinquedos pela casa, porque em nome do amor, não podiam bagunçar a casa. O bebê de nove meses passava todo o dia amarrado ao carrinho. Não podia ir para o tapete se exercitar porque em nome do amor, bagunçaria a casa. 

Não se tratava a uma criança dessas com olhos nos olhos, com carinho e respeito, porque em nome do amor, a severidade é que mantém o controle. Tudo obrigatório, entre gritos e solavancos. Por que é assim que se aprende a amar. Em nome do amor, se aplica castigos severos, controla a comida, manda uma criança de quatros anos limpar o próprio vômito. É assim que se ama. A brinquedoteca, muito bem equipada com as doações, fica abandonada. Não se pode brincar. Criança tem que ficar sob pressão. É assim que se educa.

Sim, eu questionei. E aquela mesma figura me disse: “Não vá pela psicologia, porque esta prioriza a criança. Aqui a prioridade é a casa em ordem para receber aos que têm condições econômicas de ajudar a instituição”. “Não os leve para brincar porque vão ficar muito agitados e você vai perder o controle”. “Se você perceber que alguma criança aqui é capaz de denunciar o que acontece aqui, lhe castigue. Proíba as visitas. Tranque-a só na casa ou a deixe a noite lá fora”.

As crianças me pediam para ficar e me perguntavam se tudo mudaria. Eu quis ficar, eu quis mudar. Mas me faltou esse amor que não compreendo. 

Se esse texto estivesse escrito em um papel, eu pediria a vocês que o rasgasse em mil pedaços e o jogassem no lixo úmido. Porque um papel que carrega tatuado em si um texto de quem não sabe amar não merece ser reciclado. Deletem-me, ignorem-me, denunciem-me, por favor! Façam uma fogueira bem grande para queimar o meu corpo insano e libertar o meu espírito mundano. 

Aos que conhecem esse amor que não compreendo peço um favor: orem por mim, me exorcizem, me convertam! Porque a minha alma está inquieta e o meu coração sangrando. Porque eu não vou à igreja, não me sinto bem porque dou esmolas aos pobres, não carrego as migalhas da farta mesa de Natal para os moradores de rua. Por favor, me exorcizem porque não consigo ver a Cristo nessas atitudes e muitas vezes, indignada peço a Ele: Por favor, Jesus, mude seu nome, porque não quero ser cristã.  
Rosi Santiago.

[http://www.facebook.com/photo.php?fbid=466963113317486&set=a.176349932378807.53837.100000114040606&type=1]
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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Ela tinha razão

Ela tinha razão:
Este lugar não me comporta.
Eu não faço parte deste lugar.

Sinto falta dos meus,
das conversas discretas,
das intimidades resguardadas,
da amizade escancarada.

Sinto falta do silêncio,
da música escutada,
da gritaria programada,
do espaço de cada um.

Sinto falta do olho no olho,
do fiel ao sincero,
do abraço que acaricia,
do 'porquê' que faz pensar.

Ela tinha razão:
Não é pra mim, não me acomoda.
Quis inserir-me, um dia...
Faz muito tempo.
Hoje nem é mais questão de.
É de ausência mesmo!
Simplesmente, não pertenço.
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