terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Jack Nicholson. Insuperável.

Não sou dada a modismos.
Não visto o que todos vestem, não ouço o que todos ouvem e, raramente, gosto das mesmas coisas de que gostam as multidões.

Enquanto todos falavam dos efeitos especiais de Matrix, eu via filmes da época de Quanto Mais Quente Melhor.
Superada a expectativa (?) consegui enxergar naquele filme coisa que poucos viram: Uma ode à Filosofia.

X-Men chegou aos cinemas cheio de pompa.
Meu filhote ficou louco.
Pulei o I, vi o II já depois de muito tempo. Fantástico.
Lembrar a mãe do 'rapazinho de gelo' perguntando se ele já tentou ser diferente é de arrepiar.
Mensagem bem passada: Quem, em sã consciência, optaria por ser 'diferente' em um mundo que prefere o padrão?!
Poucos leram.

Não tiro do extinto Ledger seu mérito*.
Mas, minha boa memória de infância não substitui aquela sensação.
Para mim, Coringa que é Coringa tem a cara do Jack Nicholson**.
É seco, sarcástico, doentio... e engraçado!

Em "Melhor é Impossível", que vi já adulta, o Coringa se desfaz para dar lugar a um sujeito 'pesquisável'.
Ri, senti raiva, chorei e amei aquele ser de um mundo todo particular.

Ontem, depois de muito esperar pelo momento certo, deparei-me com um sujeito bem apessoado, postura ereta, algo ansioso, mas muito simpático, diante da recepção de um luxuoso hotel.
Estranho. Jurei que aquela figura sabia - ou deveria saber - que pertencia àquele lugar.
E pertencia. Voltem e vejam, desde o início o intérprete nos permite perceber...

Jack Nicholson se desfaz - literalmente - em três: um homem que sonha escrever, um outro que se vê incapaz de fazê-lo e um terceiro que dispensa comentários.
Não li o livro, não havia lido sobre o filme, sequer vi trailler, portanto, não estava 'contaminada'.

Senti medo.
O filme todo, muito bem feito, deixou-me tranquila.
Não senti medo das menininhas, da mulher da banheira ou dos maltrapilhos hóspedes fantasmas.
O terceiro homem, entretanto, obrigou-me a iluminar*** (piadinha...rs.) toda a casa!

Jack Nicholson provoca mais que meus olhos.
Ele provoca todos os meus sentidos.
Fico horas voltando cenas para observá-lo em ação.
Para um ator que consegue passar o recado ainda quando as sombrancelhas traem o perfil de um senhorzinho que dirige um motorhome a fim de impedir o casamento da filha****, só tenho uma palavra: INSUPERÁVEL.


* Batman: O Cavaleiro das Trevas, 2008
** Batman, 1989.
*** O Iluminado, 1980.
**** As Confissões de Schmidt, 2002.

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