terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A Tebaldi que agradeço a Renata

Incrível! Incrível! Incrível!
Não tenho outras palavras.
Esta a mim basta para descrever Tebaldi.

Explico:
Desde criança ouço falar sobre o bilionário Onassis que se havia casado com a doce Jackie Kennedy poucos anos após seu marido - presidente norte-americano de inesquecível fama - ter sido assassinado em carro aberto, ao seu lado.

Achando aquela figura um tanto pálida perto daquele grego encantador - como tudo que, para mim, vem da Grécia - acabei descobrindo a quem ela substituíra: Maria Callas.

Não nego que o amor que sempre me guiou aos instrumentos em Vivaldis, Beethovens, Bach, Mozarts e tantos outros nunca levou-me à ópera. Maria Callas era, para mim, uma diva tal qual tantas outras sobre as quais só ouvira falar. O poço sempre interessou-me mais que o palco. Fato.

Acontece que, num belo dia, uma bela Renata indicou-me ler a biografia de Callas como causa ou em consequência de eu ter-lhe indicado uma de Lidia Besouchet tratando de Dom Pedro II, personagem pelo qual - todos os meus próximos sabem - tenho verdadeira fascinação.

Preocupei-me mais em encontrar o livro sobre Dom Pedrito (olha a intimidade! rs...) para emprestar-lhe do que em buscar a aquisição do livro sobre Callas. Não precisou. Encontrei Callas em minha estante. Dom Pedrito não estava lá.

Relutei.
Assim como acredito que Michael Jackson morreu tarde demais e que Marilyn Monroe e James Dean morreram no tempo certo, penso que certos mitos devem ser mantidos.

Arianna Stassinopoulos Huffington, também grega, nem de longe 'puxa a farinha' para sua conterrânea, mas é impossível negar que quando escreve, reconhece a todo tempo que eterniza, em palavras, a história de vida de uma figura ímpar.

Demonstrando ciência quanto ao tamanho de sua responsabilidade, a autora passa longe de tomar partido a favor de Callas quando o assunto é a predileção de alguns musicófilos por Tebaldi. Mas, diante da descrição das críticas sofridas por Maria entremeio as estrondosas ovações - e o sofrimento que tais oscilações lhe causavam - difícil não se contagiar pelos callasistas e pensar em odiar sua "concorrente".

Ciente de que sou uma pessoa passional e que já estava me inclinando, corri a ouvir as duas...
E qual não foi minha surpresa:
Renata Tebaldi é simplesmente incrível.

Ouvi as mesmas árias, interpretadas por ambas, em períodos próximos, ao vivo e gravadas e, mesmo nada entendendo de ópera, devo dizer que Tebaldi é muito melhor como cantora por um simples fato para mim importantíssimo: fiquei boquiaberta, encantada, maravilhada, emocionada.

Maria Callas tem seus dons, óbvio reconhecer.
Uma presença ímpar, nos e fora dos palcos.
Uma história de vida inebriante, um ardor, um horror, um amor, uma dor sem descrição.

Não sei ver as apresentações do boi do Norte brasileiro sem assumir uma posição imediata: Caprichoso (apesar de amar a cor vermelha do boi contrário... rs...)

Ainda que não mais tenha paciência para samba enredo, sei que sou Mocidade Independente de Padre Miguel tanto quanto sou Flamenguista mesmo sem saber nome de nenhum dos jogadores atuais do time.

Não abro mão do padrão.
Callas tem uma força inenarrável. Reconheço.
Mas, esta Cristiane aqui é Tebaldista.

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Para quem quiser ler:  HuffingtonArianna Stassinopoulos. Maria Callas - A Mulher por Trás do Mito, Cia das Letras

Para quem quiser ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=sI9NFI_j350
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