sexta-feira, 30 de março de 2012

Capitu.


Sinto sua falta
No aqui,
No ali,
No ‘ali de mineiro’...
Lá,
Cá,
E acolá...

Sinto falta de hoje,
De ontem,
De ‘tresontônti’.
Sinto falta de antes,
De durante,
De depois.
Mas, não sinto quanto você se ausenta.

Sinto quando você não está,
Mas quando está e, assim, distante,
Me falta pé,
Me falta ar,
Me falta sol,
Me falta mão.

Não sei gritar.
Não sei falar se não me ouve.
E fico muda...
E fico triste,
E fico aqui...
Sentindo sua falta.
.
.

terça-feira, 27 de março de 2012

Tecnologias


Ouvi sua respiração,
Senti o seu toque,
Aconcheguei-me no seu abraço,
E - sentindo-me em paz - dormi.
.
.
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quinta-feira, 8 de março de 2012

Noir



"Ei, qual´é?"
Ele disse em miauês.

E aquele rabo preto, pontinha aleijada, passeava pra lá e pra cá.
"Você fala cachorrês? Converse com o Gordo. Eu só quero dormir!"

Ele sabia que não era verdade.

E eu ganhei uma mordiscadela na batata da perna, depois um tapinha no joelho vindo por trás.
E fui obrigada a ver aquela bundinha seca, preta, de um gato que deveria ser caseiro, gordo, correndo de uma forma balançante.

Sentei no sofá.
Ele voltou. Sentou-se no tapete. Deu-me um beijo de língua de lixa.
Assim são os gatos.

Ele só me queria dizer que me ama e que estaria lá ainda que eu não pudesse - ou que ele não pudesse - entender o que eu digo.

E eu não disse.
Só lhe fiz um carinho.

Ele queria mais.
Subiu no braço do sofá tão logo dediquei aquela mão a um copo...

Ganhei outra mordiscadela.
(Se é que essa palavra existe em mineirês!)
E ele deixou claro o que queria dizer:
"Ei Cris, dar um carinho conforta mais do que receber..."

Tentarei lembrar-me disso.
Em miauês, pelo menos...