quinta-feira, 8 de março de 2012

Noir



"Ei, qual´é?"
Ele disse em miauês.

E aquele rabo preto, pontinha aleijada, passeava pra lá e pra cá.
"Você fala cachorrês? Converse com o Gordo. Eu só quero dormir!"

Ele sabia que não era verdade.

E eu ganhei uma mordiscadela na batata da perna, depois um tapinha no joelho vindo por trás.
E fui obrigada a ver aquela bundinha seca, preta, de um gato que deveria ser caseiro, gordo, correndo de uma forma balançante.

Sentei no sofá.
Ele voltou. Sentou-se no tapete. Deu-me um beijo de língua de lixa.
Assim são os gatos.

Ele só me queria dizer que me ama e que estaria lá ainda que eu não pudesse - ou que ele não pudesse - entender o que eu digo.

E eu não disse.
Só lhe fiz um carinho.

Ele queria mais.
Subiu no braço do sofá tão logo dediquei aquela mão a um copo...

Ganhei outra mordiscadela.
(Se é que essa palavra existe em mineirês!)
E ele deixou claro o que queria dizer:
"Ei Cris, dar um carinho conforta mais do que receber..."

Tentarei lembrar-me disso.
Em miauês, pelo menos...

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