quinta-feira, 19 de abril de 2012

GUETOS

O facebook pergunta o que estou pensando...

Bem, eu estou pensando que estou indignada com um edital de seleção que acabei de achar (por acaso) em minhas pesquisas 'internéuticas' a respeito de gênero e raça.

As vagas de estágio, abertas pelo Instituto Mídia Étnica, tinham como primeiro requisito "Ser afrodescendente (trata-se de um programa social para promoção da equidade)".
Juro que não entendo!

Não sou afrodescendente (acho...) e, independente de parido o preto/negão/zé/gatinho/filhote mais charmoso do facebook há exatos 13 anos (parabéns Ricardo Bruno!), não vejo problema algum em um branco/amarelo/azul/verde/vermelho assumir quaisquer daquelas vagas.

A/o sujeita/o só tem que ser bom em comunicar-se...

E, quer saber, se o foco das atividades é "cobertura e divulgação das atividades do movimento negro e da arte negra em seus respectivos estados", nada melhor que um branco/índio/oriental ou seja lá o que for para falar a respeito, não?

Só negros podem falar sobre negros? Por que precisamos continuar separando pessoas por cor, como se fossem roupas em um closet?

Só homossexuais podem defender o direito de as pessoas fazerem o que quiserem, enquanto adultos e capazes, dentro de suas quatro paredes?

Só mulheres podem defender as causas femininas? Qual o problema de homens pesquisarem/pensarem/defenderem/analisarem a questão da equidade quando o assunto é gênero?

Crentes/religiosos e ateus/agnósticos não podem mesmo sentar e conversar/dialogar/debater seja lá sobre o que for? É preciso mesmo essa coisa de dividir pessoas em religião e seitas, como se uma crença ou descrença fosse melhor ou pior que outra?

O facebook perguntou, eu respondi. Humpf!!! Mas, gostaria de viver em um mundo que tal assunto sequer passasse pela minha cabeça...

"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."
(Nelson Mandela)

Segue o link causador da minha birra: http://correionago.ning.com/profiles/blogs/programa-de-equidade-racial-no-nordeste-brasileiro-selecao-de-com

4 comentários:

Anônimo disse...

Simplesmente absurdo esse critério de seleção que por consequência fortalece a visão de preconceito que existe em nossa sociedade, lamentável que pessoas ditas "esclarecidas" tomem esse tipo de postura quando na verdade deveriam ser agentes de mudança.
Realmente a cada dia que passa fica mais difícil viver nesse mundo!

Anônimo disse...

Realmente inaceitável esse critério de seleção que apenas fortalece a visão de preconceito existente em nossa sociedade, fica mais preocupante quando percebemos que tais iniciativas são de pessoas ditas "esclarecidas" as quais deveriam ser agentes de mudança para criação de uma nova mentalidade mas infelizmente contribuem para a perpetuação desse pensamento separatista.

Mirtes Sanches disse...

Desculpe, Mas sou obrigada a discordar!!!! Na minha opinião é aceitável sim o requisito para o edital, pois por mais que se filosofe, só um NEGRO para sabe o que é ser um NEGRO, qualquer outro fariam estes questionamentos apresentados neste Post e Comentários. INACEITÁVEL é a condição subumana e de descaso a qual até hoje, em pleno séc.XXI, ainda são tratadas a população negra deste país e do mundo. As ações afirmativa de raça é o mínimo que podemos fazer por uma população que além de tudo, sofre com o preconceito, discriminação e o Racismo.

REFLITAM MAIS UM POUQUINHO SOBRE A QUESTÃO E SÓ ENTÃO RESPONDAM AO MEU DESACORDO.

Cris Mattos disse...

ANÔNIMO das 9h21 e 9h29: publiquei os dois comentários pois com conclusões diferentes, ok?

Concordo com a percepção de que separações/diferenciações são sempre problemáticas. Voto pelo "conhecer para saber".

MIRTES SANCHES,eu sou branca, muito branquela, azeda... mas, olha, eu sei muito bem o que é ser um negro: já tive que lidar com meu filho questionando o porquê de ter nascido da cor do pai e não da cor da mãe, querendo saber sobre cirurgia de nariz, ou como M.Jackson ficou branco (e se ele poderia fazer o mesmo...).

EU sofro com preconceito, Mirtes.
Sofria, quando criança, era uma das poucas brancas em uma escola pública, de periferia, com negros e pardos que me odiavam pelo cabelinho de miojo... Sofro ainda, desde que as pessoas resolveram me consolar porque, afinal, meu filho não é "assim, tão escurinho", como se me fizesse diferença....

Pense nisso, flor...
Ações afirmativas são uma coisa, retirar das pessoas o direito de conviver e viver em suas diferenças é outra...
Sou contra qualquer tipo de segregação, de "guetização", por qualquer motivo que seja.

E, olha, se fosse um edital que me interessasse, juro que solicitaria, judicialmente, o reconhecimento do meu currículo independente da cor da minha pele porque sei que poderia, sim, contribuir bastante...

Agradeço as opiniões.
Abraços,
Cris.