segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

RESPEITO




Se tem uma coisa de que não gosto é do tal do preconceito. Outra é a discriminação. Preconceituoso é aquele que escolheu ignorar. Aquele que discrimina optou por segregar.

Não critico os (ou a falta de) deuses de ninguém...
Não critico a sexualidade de ninguém...
Não critico a música que serve aos ouvidos de ninguém...

Se você não me serve, não convivo contigo.
Não critico, não recrimino.
Simplesmente te largo. Vivo, e deixo viver... Vá...

Adoraria ver um jogo de futebol, em um estádio bem grande.
Temo pela minha segurança mesmo sabendo que nem todos os torcedores agem como animais. Não vou.

Levava meu filho a todas as paradas gay das cidades em que estivéssemos no momento. Adorava a festa, a proposta.
Um dia vi um rapaz quase nu e uma moça com os seios de fora> Não gostei. Nunca mais levei. Nem fui.
E também não assisto desfiles de carnaval... acho o despudor uma coisa medonha!

Adoro jukebox de boteco.
Quando começam a tocar funk ou sertanojo, fecho a conta e vou beber em casa.
Eu tive o direito de ouvir todas as MINHAS boas músicas dos anos 80 e 90, certo?
Então, todos podem fazer o mesmo... fui...

Acho que banco de praça não foi criado para "pré-sexo".
Já acho absurdo o famoso "desentupidor-de-pia" em público, qualquer que seja o local, qualquer que seja o casal. Saio de perto... acho deselegante.

Se você me desejar a companhia de seu Deus, responderei um "amém" de todo o coração.
E talvez eu vá a um culto, missa ou reunião por carinho a você. Mas, não ache que pode me obrigar a temer o que não temo ou a enxergar o que não vejo...

Respeito.
Tente você também.
É mais simples do que parece: basta se preocupar com sua vida. Unicamente.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Jack Nicholson. Insuperável.

Não sou dada a modismos.
Não visto o que todos vestem, não ouço o que todos ouvem e, raramente, gosto das mesmas coisas de que gostam as multidões.

Enquanto todos falavam dos efeitos especiais de Matrix, eu via filmes da época de Quanto Mais Quente Melhor.
Superada a expectativa (?) consegui enxergar naquele filme coisa que poucos viram: Uma ode à Filosofia.

X-Men chegou aos cinemas cheio de pompa.
Meu filhote ficou louco.
Pulei o I, vi o II já depois de muito tempo. Fantástico.
Lembrar a mãe do 'rapazinho de gelo' perguntando se ele já tentou ser diferente é de arrepiar.
Mensagem bem passada: Quem, em sã consciência, optaria por ser 'diferente' em um mundo que prefere o padrão?!
Poucos leram.

Não tiro do extinto Ledger seu mérito*.
Mas, minha boa memória de infância não substitui aquela sensação.
Para mim, Coringa que é Coringa tem a cara do Jack Nicholson**.
É seco, sarcástico, doentio... e engraçado!

Em "Melhor é Impossível", que vi já adulta, o Coringa se desfaz para dar lugar a um sujeito 'pesquisável'.
Ri, senti raiva, chorei e amei aquele ser de um mundo todo particular.

Ontem, depois de muito esperar pelo momento certo, deparei-me com um sujeito bem apessoado, postura ereta, algo ansioso, mas muito simpático, diante da recepção de um luxuoso hotel.
Estranho. Jurei que aquela figura sabia - ou deveria saber - que pertencia àquele lugar.
E pertencia. Voltem e vejam, desde o início o intérprete nos permite perceber...

Jack Nicholson se desfaz - literalmente - em três: um homem que sonha escrever, um outro que se vê incapaz de fazê-lo e um terceiro que dispensa comentários.
Não li o livro, não havia lido sobre o filme, sequer vi trailler, portanto, não estava 'contaminada'.

Senti medo.
O filme todo, muito bem feito, deixou-me tranquila.
Não senti medo das menininhas, da mulher da banheira ou dos maltrapilhos hóspedes fantasmas.
O terceiro homem, entretanto, obrigou-me a iluminar*** (piadinha...rs.) toda a casa!

Jack Nicholson provoca mais que meus olhos.
Ele provoca todos os meus sentidos.
Fico horas voltando cenas para observá-lo em ação.
Para um ator que consegue passar o recado ainda quando as sombrancelhas traem o perfil de um senhorzinho que dirige um motorhome a fim de impedir o casamento da filha****, só tenho uma palavra: INSUPERÁVEL.


* Batman: O Cavaleiro das Trevas, 2008
** Batman, 1989.
*** O Iluminado, 1980.
**** As Confissões de Schmidt, 2002.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Machado cego

Cega.

Não vi.

Ou não poderia?
(...)

Machado era branco?
Não vi.

Veria?
De...veria?

Branco pareceu (aPareceu!).


Não vejo cores.
Vejo pessoas.

Defeito meu!?!


Para saber mais:
http://papodebuteco.net/caixa-novo-comercial-com-machado-de-assis-negro
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sábado, 11 de fevereiro de 2012

Mutatis mutandis

Hoje sofri muito para escolher entre o que eu queria fazer e o que era "o certo a se fazer".
Pra variar, escolhi o 'certo'.
Droga!

Sei que, ao final da vida, farei parte dos que se arrependeram:
http://f5.folha.uol.com.br/humanos/1046241-veja-os-cinco-maiores-arrependimentos-daqueles-que-estao-para-morrer.shtml

Aff!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A Tebaldi que agradeço a Renata

Incrível! Incrível! Incrível!
Não tenho outras palavras.
Esta a mim basta para descrever Tebaldi.

Explico:
Desde criança ouço falar sobre o bilionário Onassis que se havia casado com a doce Jackie Kennedy poucos anos após seu marido - presidente norte-americano de inesquecível fama - ter sido assassinado em carro aberto, ao seu lado.

Achando aquela figura um tanto pálida perto daquele grego encantador - como tudo que, para mim, vem da Grécia - acabei descobrindo a quem ela substituíra: Maria Callas.

Não nego que o amor que sempre me guiou aos instrumentos em Vivaldis, Beethovens, Bach, Mozarts e tantos outros nunca levou-me à ópera. Maria Callas era, para mim, uma diva tal qual tantas outras sobre as quais só ouvira falar. O poço sempre interessou-me mais que o palco. Fato.

Acontece que, num belo dia, uma bela Renata indicou-me ler a biografia de Callas como causa ou em consequência de eu ter-lhe indicado uma de Lidia Besouchet tratando de Dom Pedro II, personagem pelo qual - todos os meus próximos sabem - tenho verdadeira fascinação.

Preocupei-me mais em encontrar o livro sobre Dom Pedrito (olha a intimidade! rs...) para emprestar-lhe do que em buscar a aquisição do livro sobre Callas. Não precisou. Encontrei Callas em minha estante. Dom Pedrito não estava lá.

Relutei.
Assim como acredito que Michael Jackson morreu tarde demais e que Marilyn Monroe e James Dean morreram no tempo certo, penso que certos mitos devem ser mantidos.

Arianna Stassinopoulos Huffington, também grega, nem de longe 'puxa a farinha' para sua conterrânea, mas é impossível negar que quando escreve, reconhece a todo tempo que eterniza, em palavras, a história de vida de uma figura ímpar.

Demonstrando ciência quanto ao tamanho de sua responsabilidade, a autora passa longe de tomar partido a favor de Callas quando o assunto é a predileção de alguns musicófilos por Tebaldi. Mas, diante da descrição das críticas sofridas por Maria entremeio as estrondosas ovações - e o sofrimento que tais oscilações lhe causavam - difícil não se contagiar pelos callasistas e pensar em odiar sua "concorrente".

Ciente de que sou uma pessoa passional e que já estava me inclinando, corri a ouvir as duas...
E qual não foi minha surpresa:
Renata Tebaldi é simplesmente incrível.

Ouvi as mesmas árias, interpretadas por ambas, em períodos próximos, ao vivo e gravadas e, mesmo nada entendendo de ópera, devo dizer que Tebaldi é muito melhor como cantora por um simples fato para mim importantíssimo: fiquei boquiaberta, encantada, maravilhada, emocionada.

Maria Callas tem seus dons, óbvio reconhecer.
Uma presença ímpar, nos e fora dos palcos.
Uma história de vida inebriante, um ardor, um horror, um amor, uma dor sem descrição.

Não sei ver as apresentações do boi do Norte brasileiro sem assumir uma posição imediata: Caprichoso (apesar de amar a cor vermelha do boi contrário... rs...)

Ainda que não mais tenha paciência para samba enredo, sei que sou Mocidade Independente de Padre Miguel tanto quanto sou Flamenguista mesmo sem saber nome de nenhum dos jogadores atuais do time.

Não abro mão do padrão.
Callas tem uma força inenarrável. Reconheço.
Mas, esta Cristiane aqui é Tebaldista.

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Para quem quiser ler:  HuffingtonArianna Stassinopoulos. Maria Callas - A Mulher por Trás do Mito, Cia das Letras

Para quem quiser ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=sI9NFI_j350
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