Incrível! Incrível! Incrível!
Não tenho outras palavras.
Esta a mim basta para descrever Tebaldi.
Explico:
Desde criança ouço falar sobre o bilionário Onassis que se havia casado com a doce Jackie Kennedy poucos anos após seu marido - presidente norte-americano de inesquecível fama - ter sido assassinado em carro aberto, ao seu lado.
Achando aquela figura um tanto pálida perto daquele grego encantador - como tudo que, para mim, vem da Grécia - acabei descobrindo a quem ela substituíra: Maria Callas.
Não nego que o amor que sempre me guiou aos instrumentos em Vivaldis, Beethovens, Bach, Mozarts e tantos outros nunca levou-me à ópera. Maria Callas era, para mim, uma diva tal qual tantas outras sobre as quais só ouvira falar. O poço sempre interessou-me mais que o palco. Fato.
Acontece que, num belo dia, uma bela Renata indicou-me ler a biografia de Callas como causa ou em consequência de eu ter-lhe indicado uma de Lidia Besouchet tratando de Dom Pedro II, personagem pelo qual - todos os meus próximos sabem - tenho verdadeira fascinação.
Preocupei-me mais em encontrar o livro sobre Dom Pedrito (olha a intimidade! rs...) para emprestar-lhe do que em buscar a aquisição do livro sobre Callas. Não precisou. Encontrei Callas em minha estante. Dom Pedrito não estava lá.
Relutei.
Assim como acredito que Michael Jackson morreu tarde demais e que Marilyn Monroe e James Dean morreram no tempo certo, penso que certos mitos devem ser mantidos.
Arianna Stassinopoulos Huffington, também grega, nem de longe 'puxa a farinha' para sua conterrânea, mas é impossível negar que quando escreve, reconhece a todo tempo que eterniza, em palavras, a história de vida de uma figura ímpar.
Demonstrando ciência quanto ao tamanho de sua responsabilidade, a autora passa longe de tomar partido a favor de Callas quando o assunto é a predileção de alguns musicófilos por Tebaldi. Mas, diante da descrição das críticas sofridas por Maria entremeio as estrondosas ovações - e o sofrimento que tais oscilações lhe causavam - difícil não se contagiar pelos callasistas e pensar em odiar sua "concorrente".
Ciente de que sou uma pessoa passional e que já estava me inclinando, corri a ouvir as duas...
E qual não foi minha surpresa:
Renata Tebaldi é simplesmente incrível.
Ouvi as mesmas árias, interpretadas por ambas, em períodos próximos, ao vivo e gravadas e, mesmo nada entendendo de ópera, devo dizer que Tebaldi é muito melhor como cantora por um simples fato para mim importantíssimo: fiquei boquiaberta, encantada, maravilhada, emocionada.
Maria Callas tem seus dons, óbvio reconhecer.
Uma presença ímpar, nos e fora dos palcos.
Uma história de vida inebriante, um ardor, um horror, um amor, uma dor sem descrição.
Não sei ver as apresentações do boi do Norte brasileiro sem assumir uma posição imediata: Caprichoso (apesar de amar a cor vermelha do boi contrário... rs...)
Ainda que não mais tenha paciência para samba enredo, sei que sou Mocidade Independente de Padre Miguel tanto quanto sou Flamenguista mesmo sem saber nome de nenhum dos jogadores atuais do time.
Não abro mão do padrão.
Callas tem uma força inenarrável. Reconheço.
Mas, esta Cristiane aqui é Tebaldista.
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Para quem quiser ler: Huffington, Arianna Stassinopoulos. Maria Callas - A Mulher por Trás do Mito, Cia das Letras
Para quem quiser ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=sI9NFI_j350
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"...Choro por ele porque, todas as vezes que ele se deitava sobre minhas margens, eu podia ver, no fundo dos seus olhos, a minha própria beleza refletida”
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Travessia
Há um tempo em que é preciso abandonar
as roupas usadas,
que já tem a forma de nosso corpo,
e esquecer os caminhos que nos levam
sempre aos mesmos lugares.
É tempo de travessia;
E se não ousarmos fazê-la
teremos ficado, para sempre,
à margem de nós mesmos.
(Fernando Teixeira de Andrade - 1946-2008)*
* Recebi como se fosse de Fernando Pessoa mas não consegui, de plano, atribuir a ele a frase. Preferi pesquisar. Carente de mais fontes, prefiro crer que é do autor abaixo dela nominado, conforme consta em <http://pt.wikiquote.org/wiki/Fernando_Pessoa>.
De qualquer forma, reflete bem este período de minha vida. Fico com ela! rs....
** A fotografia é uma das minhas.
[Galiléia-MG (13abr2011, 07h07), amanhecendo presa na estrada (amém) por força das obras de melhoria (amém também...rs...). Seguindo para Vitória-ES com muito capuccino e rock ´n´ roll... rs...]
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
AMOR PLATÔNICO
...porque ideal é aquele que não é mas poderia ser
e, sendo,
e, sendo,
torna-se tão perfeito quanto intangível.
Não questiono meus caminhos. De uma forma ou de outra eles sempre me levam aos lugares em que tenho que estar por algum motivo.
Um antigo caminho trouxe-me, como sempre, a um novo.
Neste novo caminho abri mão de algumas "identidades" e reconheci algumas outras, como sempre.
Nos caminhos de outrora apenas incorporei as novas identidades. E segui.
Neste último, identificar-me tornou-se uma batalha hercúlea. Perdi.
Nada mais é como sempre fora.
Se para Platão o amor é uma incessante busca, ninguém melhor que Spinoza para justificá-la.
Ainda que sempre agradeça a Spinoza, devo dizer que faço as pazes com Platão. Reencontrei Nietzsche e, por tão humano, tão inconsequente e tão incoerente pude percebê-lo divino.
Divino é o amor.
Apaixonei-me.
Reconheço que sou apenas - e demasiadamente - humana.
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sábado, 26 de novembro de 2011
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
O RESPEITO ao próximo e o significado de GENTILEZA
Pessoa crítica que sou, hoje foi dia!
Já aprendi a não falar, a deixar a cena se desenrolar e usar o blog, mas hoje quase caí em tentação.
Imaginem a cena:
__ Irmã, irmã, tudo bem irmã?
__ Oi, irmão, tudo. Só um momento que vou organizar as coisas aqui pra comprar a passagem.
(...minutos se passam).
__ Ô mocinha bênção de Deus, cadê sua mãe?
__ Ela está ali, ajeitando as bolsas na fila. Eu vou comprar as passagens
(...o sujeito é, agora, o segundo de uma fila quilométrica e a adolescente de seus 13 anos, a décima)
__ Me dá aqui. Eu compro para vocês. Ô irmã, eu compro - grita o bonito para a "irmã".
__ Precisa não, irmão, a menina compra.
__ Ô irmã, tô na frente, compro. Afinal, nós somos irmãos em Cristo.
Você ali, de pé por quase meia hora, depois de ter passado manhã inteira e parte da tarde trabalhando loucamente e esperando para comprar passagem, embarcar, preparar-se para trabalhar durante o trajeto que faz para fechar o dia trabalhando em uma outra cidade e o bonito tira uma mocinha da fila para botar na sua frente!
Bom, este é o menor dos problemas.
Para mim, na verdade, o que chamou a atenção foi a idéia de "irmãos" que nosso protagonista tem.
Nada contra uma pessoa querer ajudar outra, especialmente uma conhecida.
O que incomoda é ele não pensar no fato de que a suposta ajuda dele é, na verdade, uma atitude coletiva.
Sim, coletiva! Eu e as demais pessoas da fila pagamos o preço da demora. E ele nem nos considera irmãos!
Se eu estiver enganada e ele tiver pensado no coletivo, pior ainda: Desrespeitou meu direito sagrado (e dos demais) de dizer "não".
Ôpa, eu sou gentil! Não me vejam de forma equivocada.
Só que fico pensando um monte de coisas quando este tipo de atitude ocorre.
Pensem comigo:
1. Partindo do mesmo pressuposto do sujeito benfeitor da fila, eu posso parar o carro em fila dupla no momento em que eu entender necessário deixar aquele conhecido na porta de seu local de trabalho. E daí a opinião dos demais que ficaram parados atrás de mim, esperando?
2. Posso, ainda, segurar o caixa do supermercado enquanto vou buscar para minha vizinha, ao telefone, aquela meia dúzia de itens que ela acaba de encomendar. E daí se o povo atrás já está nos cascos por estar de pé esperando depois de andar todo supermercado atrás das coisas que os repositores mudam de lugar?
3. Já que quem faz gentileza para outros pode também fazer para si, me seria garantido, sem dúvida, o atendimento na manicure ainda que eu chegue meia hora atrasada. Qual o problema das próximas clientes terem que esperar, cada uma, todos os minutos do meu atraso?
Nossa! Eu sou mesmo um monstro!
Esqueçam tudo o que eu disse e 'bóra' ser gentil, gente!
Que importa que os demais esperem???
Basta que eles se enquadrem no conceito de gentileza de nosso protagonista e sejam gentis também, certo?
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